Não 1 Não 2

Jesus – parte 1 de X

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Um revólver de 6 balas. 6 balas de merda pra fazer o serviço. 6 balas para 8 chefes do sindicato. Era óbvio que era uma missão suicida. Mas o que eu podia fazer? O chefe não aceitaria um não como resposta. E eu sabia que ele não tinha as bolas necessárias pra me matar abertamente.

Meus lábios estão secos. A respiração fica rápida. Coração martela no peito. Nos filmes tudo isso parece tão fácil, tão belo! Entrar, dar uns 50 tiros sem parar e acertar uns 3… mas agora não. Tento manter a calma enquanto passo pela segurança. Meu disfarce? um uniforme vermelho de porteiro. Clichê de merda. Eles parecem desconfiar, mas me deixam passar de qualquer jeito. Que louco tentaria invadir um hotel lotado de capangas sozinho? Pois é, até ontem eu também acharia loucura. Pensando bem, ainda acho.

Nunca tive muitas influências na vida. Mãe desaparecida, pai alcoólatra, mais um clichê de merda. Como minha vida anda cheio deles! Aprendi sozinho a ler, depois aprendi sozinho a me cuidar …então aprendi como jogar. Nisso confesso que tive uma boa ajuda do cassino clandestino que meu digníssimo pai organizava no porão de casa. Sua única contribuição para minha vida. Quando me toquei, já sabia atirar. Mirar com o olho e a atirar com a mente. Cada movimento cuidadosamente pensado e executado com precisão. Logo fui apresentado a contatos que me levaram de encontro a don Carlo, e assim caí nas graças ao chefe. Isso até eu engravidar sua mulher, claro.

A sala onde ocorrem as reuniões do sindicato se encontra logo à frente. Estranho que ninguém guarde a entrada. Pisco para afastar o suor dos olhos. Aproximo minha mão da maçaneta e um arrepio corre pela minha espinha quando sinto a mão pesada tocar meu ombro. Reprimo um gritinho de desespero.

Olho para trás. Um brutamontes me encara. Um sorriso zombeteiro risca seu rosto escuro e cheio de cicatrizes que indicam uma vida de crueldades à margem da sociedade.

-Então mudou de idéia em me ajudar nesse serviço, mesmo eu tendo ido embora sem pagar a conta do bar ontem, Joe?

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Written by GPenazzi

Janeiro 26, 2011 às 12:50 pm

Publicado em Textos

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